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terça-feira, 2 de novembro de 2010

El día de los Muertos

En México, el Día de los Muertos es celebrado con fiesta y alegría. Las casas se llenan de colores, aromas y adornos para recibir a los familiares muertos, que el día 02 de noviembre visitan a sus familias y reciben los regalos que se les hacen. Es la mezcla de dos culturas - la católica y la precolombina -, y por eso se va a los cementerios, se los arreglan, se adornan con flores. Es la magia entre la Vida y la Muerte, línea de paso que no sabemos explicar, pero que se puede viver con más serenidad y paz.

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A continuación, artículo publicado en el periódico mineiro Jornal Pampulha sobre el día de los Muertos:

Matéria de capa

Saudade sim, tristeza não
É o que pregam algumas culturas e filosofias diferentes da nossa, que defendem a morte como algo natural e que pode ser até celebrada
ERICKSON ARANDA

Era véspera do Dia das Mães, quando o ator Renato Prieto - que interpretou André Luiz no filme "Nosso Lar"- recebeu, pela manhã, um telefonema comunicando a morte de sua mãe. Mas, em momento algum, ele hesitou em não abandonar a temporada de seu espetáculo para acompanhar o velório, que seria realizado em outro Estado. "Usei o bom senso, e entrei em cena. A peça teria a renda revertida para um orfanato e homenageei minha mãe ao seguir o que ela sempre me ensinou: ‘Antes de qualquer coisa, cumpra com seus deveres’".

O que pode parecer um desapego exagerado ou até mesmo desleixo por parte de um filho na verdade é uma forma natural de lidar com a morte. Fato justificável por Renato Prieto ser espírita e, portanto, ver o desencarne (termo utilizado pelos kardecistas) como um simples desligamento entre o corpo e o espírito. "Tem um dia em que vamos sair da matéria e a única coisa que nos resta é encarar com naturalidade. Resolvendo isso, vivemos mais tranquilos", afirma o ator.

Mas não são só os espíritas encaram a morte como algo natural. Enquanto por aqui até o dia nublado ou chuvoso, comum em todos os Finados, contribui para o clima pesado de saudosismo e tristeza, no México, os mortos são na verdade festejados com alegria. O "Día de los Muertos", que tem origem pré-colombiana, é uma das comemorações mais animadas daquele país. Os mexicanos acreditam que, nesse dia, os mortos vêm visitar seus parentes e, portanto, esse encontro tem que ser celebrado com alegria, música e, principalmente, com as comidas preferidas pelos falecidos.

"Não ficamos de luto, porque celebramos a morte como um prêmio. As pessoas que já se foram estão tendo uma ‘vida’ melhor. O ‘Día de los Muertos’ é cheio de cores e em momento nenhum é triste. Temos a tradição de fazer altares em homenagem às pessoas que já se foram, com flores, comidas, fotos e outros objetos que lembrem os mortos", conta o engenheiro mexicano Juan Manoel, 28, que vive há um ano em Belo Horizonte.

Impermanência
Celebrações como essa não devem ser vistas como uma simples curiosidade, mas acima de tudo ser o mote para refletirmos sobre como lidamos com a morte. O psicólogo e praticante do budismo tibetano Salim Zaidan explica que os seguidores dessa filosofia celebram a morte sempre, baseados no conceito da impermanência. "Tudo na vida é transitório. Nada dura para sempre, inclusive nosso corpo. O Dia dos Mortos é, portanto, o próximo segundo. Sua respiração, nesse momento, pode ser a última e essa urgência faz você dar valor a cada instante".

Salim Zaidan ressalta ainda que quando as pessoas negam a morte ao evitar tocar no assunto é como se estivessem mutilando a própria vida. "O budistas vêm a morte como um processo inerente à vida. Ela vai acontecer em algum momento para todo mundo. Tudo muda, tudo se transforma. Morrer é transformar-se. Morre uma forma e aparece outra", explica.

Esse conceito está presente também no arcano 13 do tarô, que traz a tradicional imagem da morte com uma foice. A estudiosa das ciências esotéricas Maria Ângela Vaz de Melo explica que quando essa carta sai para uma pessoa não é um sinal de mau agouro. "Esse arquétipo não simboliza somente a morte do corpo físico, do renascimento em outras dimensões. Significa transformação".

Morrer em vida
A morte, segundo Maria Ângela, deve ocorrer ainda em vida. Em meio a uma gargalhada, ela garante que morrer a cada dia é fantástico. "A morte implica numa sutilização de energia, num trabalho de alquimia interna, na dissolução do ego, do desapego. É quando os desejos se calam, a vontade se acalma, o mundo surge e há um encontro consigo mesmo", conclui.

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